Lamento, mas não sou de despedidas, não gosto de dar um tchau ou um adeus assim, da boca pra fora, prefiro um até logo, esses outros me parecem muito definitivos, sem volta, daqueles que se dizem pra quem nunca mais quer ver, ou pra quem já foi e não volta mais; e eu gosto disso, dessa possibilidade da volta, dessa falta de despedidas, dessa sinceridade das palavras…
citação de: Dom Casmurro  (via livrarias)
empalecer: Que estranho, saudades gigantes do seu tumblr, filha de machado de assis

Linda! Oi meu anjo. Olha que me deu uma saudade gigante do meu tumblr também. E de pessoas como você. E ai, como esta?

E Maria - a única puta que eu conheço que tem nome de virgem e matrícula na USP - me disse embaixo daquela chuva filha da puta (mas não dela), que isso de ser especial é uma ilusão. Só ilusão, nada mais. ‘Primeiro que ninguém é realmente especial. É tudo a mesma merda, o mesmo corpo apodrecendo no gás carbônico das cidades, o mesmo esgoto a céu aberto. Depois que a gente só diz isso pra tentar dispensar alguém sem ser tão má, ele é diferente, especial, mas tu não quer ele pra ti.’ Eu ri, confirmei com os olhos, passei um cigarro. Ela fechou o zíper do casaco e pegou. ‘Depois que, porra, tinha um cliente menina, como é teu nome mesmo menina?’ Sofia, Maria, Sofia. ‘Então Sofia, tinha um cliente que eu acreditava que era especial ou que eu era especial pra ele’ parou pra dar mais um trago ‘uma merda assim’ continuou. ‘Ele vinha aqui uma, duas vezes por semana, só pra saber se eu tava bem. Sem sexo, tu acredita? Sem sexo. Me trazia chocolate, rosas, toda essa piegagem de merda. Essa palavra existe? Se não existe não importa, tô inventando. E dinheiro, claro, trazia dinheiro. Eu não queria aceitar, mas ele trazia. Então, ele vinha. Me falava de Deus, tu acredita? Nesse inferno ele ousava me falar de Deus. Não queria me catequizar nem nada, é por isso que eu gostava dele. Nessa merda de mundo ele era o único, o único, que me fazia acreditar em Deus.’ Parou e pareceu que tava perdida em algum pensamento, com a chuva molhando o rosto e o cigarro, eu nunca soube se ela tava chorando. E então? Perguntei. ‘E então ele sumiu, porra, sumiu. Sem aviso, sem telefonema, sem nada, sumiu. Pensei que tinha acontecido alguma coisa e odiei não ter nenhum telefone dele pra saber e achei que ele me avisaria de alguma coisa, uma viagem, uma doença terminal, sei lá porra, achei. Porque eu pensei que era especial’ E começou a rir desesperadamente, descontroladamente. ‘Especial, veja só, especial. Eu já pensei em sair dessa porra e não saí porque não queria perder o que a gente tinha, não queria quebrar o frágil equilíbrio. Vê só Sofia, Sofia né? Eu pareço agora uma pré-adolescente burra, falando de ser especial, e de frágil equilíbrio, mas é que acabou meu cigarro, me dá mais um cigarro’ Peguei um e passei a carteira, já no fim, pra ela. Acendeu e respirou fundo ‘É que essa porra realmente me magoou.’ Apontou pra uma banca de revistas fechada do outro lado da rua, ‘tá vendo aquela banca ali? Encontrei ele lá, três meses depois que tinha sumido. Diferente, sem barba. Mais novo até. Fez de conta que não me viu, fez de conta que não me viu. É esse o fim dessa merda de história, ser especial é uma mentira, como todo o resto. Se você se sentir assim em relação a alguém, beba mais uma dose, trepe com um desconhecido, leia alguma filosofia abstrata que te faça ver o quanto tudo é nada. Porque é. E ser especial é das mentiras mais feias.’ Se levantou, pisou na carteira de cigarros vazia, jogou o último fora.’ Agora tenho que dar, você também devia.’ Eu sorri. Que puta mais triste, essa. ‘Valeu pelos cigarros.’ Não dei. Às vezes eu acho que absorvo a tristeza dos outros ou algo do tipo. Alguém tem que se importar, não é? Tem mesmo? Voltei pra casa e ouvi o mesmo vinil repetidas vezes, dormi molhada, fedendo a cigarro e sonhos perdidos. Acordei gripada, merda.
citação de: Quem escolhe Maria como nome de guerra?  
Eu nunca vou amar alguém tanto quanto eu te amei ontem à noite, com os cabelos escuros caindo sobre os olhos brilhantes e com o coração na ponta da língua pela primeira vez na vida. Não parecia certo como antes, mas pareceu mais real. Eu nunca quis nada na minha vida tanto quanto eu quis que as coisas entre nós se ajeitassem. Ontem à noite. O luar caía em seu perfil tão bem quanto meu vestido favorito, e seu sorriso nunca me trouxe tanta paz. Em toda minha vida, em todos esses 1000 e tantos dias que a gente vem nutrindo falsas esperanças em relação ao outro, eu nunca pensei que fosse sentir paz ao apenas me sentar ao seu lado e ver você rindo das minhas piadas baratas e da minha cara de indignação com tudo de errado que você faz. Esperava que houvessem gritos e estrondos tão altos que a multidão inteira poderia ouvir, mas eu me enganei pela segunda vez no mesmo dia. Choveu, mas não fomos nós. Você sempre soube da minha crença infindável de que o amor é a causa de todas as mudanças climáticas existentes no planeta, e por isso entendeu a minha tristeza ao ver o céu se fechando enquanto um sorriso permanecia estampado em nossos rostos. Não somos mais nós – talvez nunca tenhamos sido. Todas as vezes que a Terra chacoalhou foram outras duas pessoas ainda mais desastrosas que estavam dando vida às tempestades. E nós, idiotas, pensávamos que tudo isso era dedicado a nossa incrível capacidade de perder tudo o que um dia nos fez bem. Mas estávamos errados. Meu Deus do Céu, nós estávamos errados a respeito de absolutamente tudo! Eu nunca tive tanta certeza de nada em toda minha vida, igualmente como nunca estive tão errada. Acho que nunca mais vou ser capaz de escrever outro texto com a palavra tempestade, pois não aguento mais o gosto de sangue que vem a minha boca todas as vezes que sou obrigada a ver gotas de chuva caírem fortemente dos céus. Era pra ter sido nós. Fomos enganados pelo universo, que nos fez crer que algo tão estragado pudesse ter conserto. Descartes estava certo, talvez realmente haja um gênio maligno por trás que nos faça ver coisas que não existem, em lugares que são igualmente inexistentes, porque nem mesmo a matemática faz sentido para mim. Ontem foi a nossa última tempestade.
Achei que fosse acordar arrasada nessa manhã, mas a única emoção que tive foi a surpresa de não sentir nada. Meu coração não parou por alguns segundos. O ar não faltou aos meus pulmões. Ver você vindo na minha direção não me fez sentir o estômago embrulhar. Sentir seu toque não me deu arrepios. Eu me sinto perfeitamente bem, e isso é horrível. Eu me sinto completa e essa é a pior constatação que eu poderia fazer. Mas eu nunca te amei tanto quanto ontem a noite, quando você chamou meu nome daquele jeito diferente e me fez pensar que a vida não poderia ser um lugar tão ruim assim. Ou quando você me disse aquelas coisas terríveis que eu preferiria não repetir, e no final me falou que não existe ninguém na vida que possa nos fazer tanto mal quanto nós mesmos. Por esse motivo eu preciso te parabenizar: você sempre está certo. Não existe ninguém que possa me machucar tanto quanto eu, e nisso eu incluo você. Suas palavras não me tocam tão fundo e suas promessas quebradas não significam nada para mim. Olhar para você é pior do que olhar para um estranho. Eu conheço você, eu sei quem você é e do que você gosta e o que você odeia; mas não te sinto. Não te enxergo. Não posso mais te tocar. Minhas palavras soam tão vagas enquanto desvio os meus olhos dos teus quanto às de um doente em seu leito final. Quero dizer algo que importe, que faça diferença, fazer nossas conversas retomarem o rumo que sempre me fez perder os trilhos. Mas não existe nenhuma palavra que possa nos fazer voltar às madrugadas perdidas em meio a mil palavras mal escritas e mal ditas. Depois que você perde alguém, não existe remédio que faça você recuperar todas as histórias secretas que lhe escaparam pela boca quando você pensou que aquela era a pessoa mais especial que você conheceria em toda sua vida. Eu exagerei e sinto muito por isso. Mais do que eu posso começar a explicar: antes que você pense que eu possuo o costume de mentir, nunca disse tanto a verdade quanto naquele momento apavorante em que te olhei nos olhos e não falei nada. Você foi mais eu do que qualquer outra pessoa nesse mundo, e eu quis que você compreendesse a minha vastidão mais do que qualquer outra coisa nessa vida. Houve um tempo em que eu acreditei que você fosse ser a pessoa que me arrancaria dessa escuridão sufocante que me cerca faz tanto tempo, mas eu me enganei. Eu estava errada e agora tenho que pagar o preço por isso. Eu assino o cheque toda a vez em que você passa por mim e eu não sinto seu perfume, toda a vez em que seus olhos reluzem o luar e ainda assim parecem o mais normal dos castanhos. Eu perdi minha dignidade e minha crença na vida, e agora não existe algo a que eu posso me agarrar. Eu pago minha penitência ao ver a única pessoa que já me conheceu fechar a porta do meu quarto e descer escada abaixo para longe de mim. Eu pago meus dias no inferno ao ver você gritando estupidezes que são ditas exatamente com a intenção de ferir o mais fundo que conseguem. O único amigo que eu já tive na vida. Eu conheço as chamas ao ver a única coisa boa que já me aconteceu partindo.
Esse é meu dito final: nunca amei você tanto quanto ontem. Dizem que o amor cresce a cada dia, e que cada dia vai fazer com que você se apaixone mais e mais pelo infinito. Eu cheguei ao meu ápice. Ontem, amei você com todas as forças do meu vil corpo e com toda a amargura e todo o ressentimento que um coração tão pequeno quanto o meu consegue carregar. Eu nunca quis tanto ver você sofrer por todas as coisas erradas que já fez e nunca quis tanto ver você ser feliz depois de tantas coisas ruins que já aconteceram com a gente. Eu amei você de um jeito bêbado e desesperado, tranquilo e rotineiro. Com a voracidade de uma menina que quer o mundo e a tristeza de uma mulher que sabe que jamais conseguirá realizar metade dos seus sonhos. Sei que o mundo é um lugar cruel para se viver, mas jamais pensei que fosse sentir em minhas mãos toda a sua maldade… Até acordar hoje de manhã e perceber que não penso mais em você. E, se penso, é por puro costume e não mais saudade. Não sinto mais a sua falta, hoje e agora. Eu sei, as pessoas dizem que o tempo cura tudo. Eu discordo com todo o resto de voz que me sobrou. O tempo não cura, mas sim destrói. O amor não acaba. Amor não é algo que a gente possa por um ponto final quando decidir que sofreu o bastante. Amor morre. O amor se suicida ao perceber que se tornou um fardo maior do que os amantes podem carregar.
citação de: — Nosso amor se jogou da sacada, Ana F.  (via capitanias)
Deixa o telefone tocar mais uma vez. Num dia estranho de uma quarta a feira à tarde que você não tem nada pra fazer exceto aquele tanto de outras coisas. Atende o numero restrito de uma voz desconhecida de uma garota meio lá bizarra que tu nunca ouviu na vida, porque garotas bizarras nunca te ligam a não ser as que tem câncer. Pensa bem no que não vai dizer, no que não vai pensar, no que não vai fazer. Deixa os olhos dela te enxergarem mesmo que seja meio absurdo, ou meio idiota, ou meio excruciante. Se é que vocês sabem o que é que essa palavra significa. Deixa ela te contar sobre as pessoas que você não conhece, sobre os cotidianos que não te interessam e sobre os fatos que não tem nada haver com o tu e você na mesma frase. Se pegar desprevenida um pouco é bom. E rindo também. Conta que ainda é meio criança, e que se interessa pela vidinha de merda que a tal leva, porque estranhamente, ela se interessa pela sua. Ela não sabe porque te ligou. Não sabe porque quer te ligar mais uma vez. Se brincar, nem percebeu que decorou teu número. Mas fez isso sim. Sabe até a piada que vai te fazer da aquela risada meio do nada do outro lado da linha. Te contar uma paradinha meio sigilosa, é que a tal garota ama o som dos seus silêncios, da respiração do seu sorriso, do seu sotaque sem sotaque. Gosta até do jeito que briga porque ela esqueceu do jantar. Ela gosta de você, de estar com você, de rir com tu coisa e tal. Não que isso queira dizer alguma coisa, porque não quer. E, se tem verdade nessa ladainha inteira, é que tudo, contudo, não quer dizer nada. A tal garota estranha buscou uma linha tênue e acabou por descobri-se amando alguém simplesmente por amar. Porque tem que ser assim. Do verbo clichear e tudo mais. Porque foi assim que se deu: um amor estranho, numa quarta feira à tarde em horário inapropriado te pedindo pra deixar o telefone mais uma vez de vez em quando. De vez em sempre.
citação de: Danielle Quartezani, Deixa tocar mais uma vez.  

"I’ve only been gone a day!"

"I’ve only been gone a day!"

"I’ve only been gone a day!"

"I’ve only been gone a day!"